O território fotográfico nacional foi, a partir de 1950, extremamente dominado pelo designado salonismo, isto é, uma prática improdutiva e inconsequente que prolifera, aproximadamente, até finais da década de 70.
A génese da criação artística de António Drumond, localiza-se no início de 1960, adquirindo um interesse mais próximo da pintura e um contacto com alguns artístas plásticos dessa mesma época; sendo, apenas, a partir de 1976, que floresce o seu verdadeiro interesse pela fotografia.
Em 1978, Drumond entra no grupo IF, no Porto, participando assim, em todas as suas actividades, nomeadamente na exposição que teve lugar no Museu Soares dos Reis, exposição esta intitulada "Esquinas do Tempo".
Já nos finais da década de 80, e após dez anos de percurso na área da fotografia, o autor desperta em si mesmo, uma enorme vontade de mudança de conteúdos, preferindo, como nos é dito por Bernardo Pinto de Almeida, "mergulhar no espaço interrogativo da sua própria solidão, da sua única capacidade de considerar a contemplação como processo interior do acto criativo".
Sendo assim, o processo de criação do fotógrafo apresenta-se como sendo solitário, confirmando nas suas imagens, um gosto pelo intimismo, pela delicadeza e pela poesia visual.
Algumas das suas fotografias remetem-nos para momentos de sofrimento, tortura; outras para rituais ou memórias passadas, das quais emerge um jogo de sensibilidade obscura, onde o negro do fundo, nos pode ainda transmitir um presente sentimento de medo, possibilitando ao observador, a construção de um código interpretativo, próprio para cada uma das imagens.